O que acontece com o Baltimore Ravens nos playoffs é mais do que um potencial final feliz na carreira do ídolo maior da franquia, Ray Lewis. O roteiro é bem semelhante a alguns que nos habituamos a ver nos últimos anos da NFL. New Orleans Saints, Green Bay Packers e New York Giants. Times que, assim como o Ravens deste ano, no mesmo ponto em que estamos na temporada, mostraram um certo tipo de mágica difícil de acreditar e, ao mesmo tempo, difícil de bater.
Baltimore foi um time que superou problema atrás de problema até ter a chance de chegar ao segundo Super Bowl na história da franquia. Muitíssimas lesões na defesa. Foram cinco cirurgias em nomes como Ray Lewis, Terrell Suggs e Lardarius Webb. No ataque, mais problemas. Ray Rice tinha poucas carregadas e Joe Flacco enfrentava mais uma temporada mediana cercada de críticas.
Apesar de um bom início e da precoce liderança na divisão norte da Conferência Americana, Baltimore esteve prestes a implodir no mês de dezembro. Muitas derrotas - uma delas um atropelo para o Denver Broncos - a demissão do coordenador ofensivo em plena Semana 14 e uma defesa que precisava voltar a ser dominante para que pudesse sonhar com algo.
A temporada do Baltimore Ravens era um grande ponto de interrogação. Time descartado por todos e que faria apenas figuração quando começasse a pós-temporada. Mas Ray Lewis anunciou que 2013 seria o último ano da lendária carreira. Coincidentemente ao anúncio do linebacker, o Ravens passou a ser outro. Da água para o vinho.
E a inspiração ao ver o líder que jogou todos os 17 anos de carreira pelo time de Maryland foi contagiante. Baltimore chega ao Super Bowl XLVII como um verdadeiro time. Muito diferente daquela equipe cercada de dúvidas, incertezas e que não passava de uma grande zebra.
Houve quem duvidasse da vitória em cima do Colts. Mas o Ravens passou por cima do time de Andrew Luck e não deu chance alguma ao calouro sensação. Contra o Denver Broncos, um jogo que poderia até virar filme. Um touchdown de 70 jardas a poucos segundos do final do jogo, duas prorrogações, uma interceptação em cima de Peyton Manning e uma vitória que chocou o mundo e surpreendeu até o mais otimista torcedor do Ravens.
Na semana seguinte contra o New England Patriots, mais uma vitória. Dessa vez sem que nenhum mérito de Baltimore fosse tirado. Aqui não houve sorte ou milagre. Resultado positivo, virada após ir para o intervalo seis pontos atrás no placar e total domínio no segundo tempo.
A campanha na reta final lembra o Giants do ano passado. Time que tinha sete vitórias e sete derrotas na Semana 14, mas que conseguiu ainda assim vencer o Super Bowl e bater pelo caminho times tidos como muito melhores. Lembra também o Green Bay Packers de 2010. Os cabeças de queijo foram campeões apesar de jogar os quatro jogos da pós-temporadas longe do Lambeau Field. E por que não parecido também com o New Orleans Saints de 2009, quando superou as adversidades do furacão Katrina e bateu o favoritíssimo Indianapolis Colts?
O Baltimore Ravens é o fio desencapado da vez. É histórico que é difícil parar times como esse Baltimore. São as equipes que pegam fogo e no tranco na hora certa. O time de Maryland chega ao Super Bowl como o time mais quente do momento. Os corvos estão fechados e querem dar um último presente para Ray Lewis. Pouquíssimos acreditavam no Ravens contra Denver. Poucos acharam possível que Baltimore batesse New England e ainda há quem duvide que a equipe vença o 49ers no dia 3 de fevereiro.
Se podemos tirar uma lição disso tudo é, sem dúvidas, que não se pode duvidar desse Baltimore Ravens. Cara de campeão é o que não falta para o Ravens. Assim como não faltou para Giants, Packers e Saints.